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A Integração da Transformação Tecnológica aos Valores das Empresas Familiares

03/05/2021 16:43:1631 visualizações

A Integração da Transformação Tecnológica aos Valores das Empresas Familiares

A crise sanitária e econômica já seria suficiente para tornar 2020 e 2021 dois dos mais desafiadores anos da história de muitas empresas familiares. Tudo isso acontece em um cenário de transformação digital, que, de progressiva e gradual, tornou-se acelerada e premente.

Nas empresas familiares, os temas tecnológicos ganharam relevância estratégica, provocando não somente redesenho de atividades e negócios, mas a conexão dos valores e do propósito com o cenário disruptivo. Cybersegurança, gestão de dados, inteligência artificial e robótica, bem como digitalização tornaram-se temas tão importantes quanto a sucessão. 

Segundo dados divulgados pela PwC em sua Family Business Survey 2021, entre as prioridades mais apontadas pelas empresas familiares para os próximos dois anos estão o aumento do uso de novas tecnologias (49% no Brasil e 58% no mundo) e a melhoria de competências digitais (52% no Brasil e 53% no mundo). Por outro lado, apenas 28% das empresas familiares brasileiras acreditam já dispor de fortes recursos digitais. Há, evidentemente, muito trabalho a ser feito! 

O sucesso da transformação passará, invariavelmente, por uma adequação cultural e de governança. Os conselhos de administração, apoiados pela prontidão e conhecimento das novas gerações, deverão equilibrar a relação entre o protagonismo dos dados e a privacidade, transparência e confiança com seus colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros. 

Para formatação dessa relação de equilíbrio, evitando abusos ou desvios e identificando oportunidades e eficiência, é indispensável considerar-se o contexto legal. 

Já em 2012, iniciou-se o movimento de regulamentação de dados e do ambiente virtual. Na Lei 12.737/ 2012, apelidada de Lei Carolina Dieckman, foram tipificados crimes cibernéticos. Em 2014, a Lei 12.965/2014 estabeleceu princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil. Finalmente, em 2018, o tema dos dados pessoais (que são aqueles capazes de identificar a pessoa física) veio a ser regulado de maneira bastante sistemática, através da Lei 13.709/2018, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O Brasil, assim, pretende elevar os padrões de privacidade de dados ao nível do mercado europeu, um dos mais avançados do mundo. 

Se é certo que a legislação traz uma série de novos cuidados e obrigações aos empresários, é igualmente verdadeiro que sinaliza para oportunidades de modernização e exploração adequada dos dados como ativos, reforçando a relação de lealdade com os stakeholders, através de uma mensagem de adequação e cuidado com a privacidade.  

Antes, muitas empresas simplesmente acumulavam dados indistintamente, a obrigatoriedade do mapeamento dos fluxos de dados permite a compreensão clara de como a empresa poderá usá-los eficientemente em seu benefício, sem abrir mão da qualidade das relações mantidas. 

O trabalho de adequação aos parâmetros legais, quando bem trabalhado, tem promovido a utilização eficiente dos dados, seja por propiciar reflexão sobre as possibilidades de aplicação responsável, seja por estimular o descarte dos dados supérfluos, que, ao exigir a adoção de padrões razoáveis de segurança da informação trazem custos elevados. A manutenção apenas dos dados realmente relevantes para a organização, torna-se uma necessidade, com vistas a sua maior sustentabilidade.  

O legado da empresa familiar na era digital dependerá, portanto, da ressignificação e integração dos seus valores e propósito com a inevitável transformação digital e uso consciente dos dados como ativos a serem explorados.